Em Santana, proteção ao idoso só ocorre com apoio de voluntários

  • Maria Luiza Souza lamenta as condições precárias para prestar assistência aos idosos
    Maria Luiza Souza lamenta as condições precárias para prestar assistência aos idosos
No município, o Centro do Idoso está com as atividades reduzidas, não há onde o idoso contar com lazer e outras atividades. A secretaria de Assistência Social não ajuda, e ainda atrapalha, porque quando tira um educador físico, está atrapalhando. —   Maria Luiza Souza - presidente do Conselho

Desde outubro do ano passado, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa atua sem assistente social, psicólogo e digitador. A sala funciona dentro do Conselho Tutelar de Santana, no bairro Nova Brasília, um local com pouco espaço, apesar de ter um papel importante para a efetividade da política de proteção aos idosos, que só tem acontecido atualmente com a ajuda de voluntários.

O Conselho é composto por representantes de grupos da melhor idade e deveria atuar com apoio da gestão municipal, mas, desde 2012, quando foi instituído, nunca funcionou com a equipe multidisciplinar completa. A presidente da instituição, Maria Luiza Souza, conta que sem assistente social, uma advogada, representante do grupo da melhor idade Sol Nascente, era quem realizava as visitas às famílias para investigar as denúncias.

Outra dificuldade é quanto ao espaço e material. Na sala, os poucos móveis e equipamentos foram doados, e os arquivos que se acumulam são armazenados em locais improvisados. Quando há a necessidade de atender a pessoa idosa, seja através do assistente social ou psicólogo, é preciso se retirar e aguardar do lado de fora até que o atendimento seja concluído. Um desconforto para quem trabalha ter o seu próprio direito garantido.

“Saímos para as visitas no meu carro, quando não é possível, peço auxílio do Conselho Tutelar, que nos cede o veículo para que possamos acompanhar a denúncia. O ideal era que funcionássemos em um local com pelo menos duas salas, para que o atendimento fosse prestado com mais comodidade ao nosso idoso”, diz a presidente.

Maria Luiza explica que o Conselho não tem poder punitivo, mas verifica todas as denúncias que são feitas e as encaminha para a Promotoria da Cidadania para que as medidas sejam aplicadas. Em Santana, a maioria das denúncias está ligada a maus tratos, posse indevida da renda dos aposentados, seguida de abandono. Em 2016, cerca de 70 denúncias foram registradas.

Pelo menos 500 idosos que participam ativamente de grupos da terceira idade em Santana reconhecem o Conselho como órgão fiscalizador e de proteção dos direitos da pessoa idosa. A presidente ressalta ainda que além de não contar com apoio da prefeitura, tem observado a demissão de profissionais que colaboram com as atividades em grupos da melhor idade. “No município, o Centro do Idoso está com as atividades reduzidas, não há onde o idoso contar com lazer e outras atividades. A secretaria de Assistência Social não ajuda, e ainda atrapalha, porque quando tira um educador físico, está atrapalhando”, lamenta.

Mesmo com dificuldades, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa realizará uma ação social no dia 24 deste mês, a partir das 8h, no Rotary Club, na rodovia Duca Serra, com atendimentos de saúde e cidadania. “Algumas de nossas ações arrecadamos e utilizamos para comprar materiais para o conselho. Não podemos parar as atividades; com ajuda, vamos avançando e fazendo o possível para garantir a defesa do idoso santanense”, concluiu a presidente.

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