Superintendente do Ibama favorecia madeireira no Amapá, afirma PF

  • Policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão no Ibama e na casa do superintendente
    Policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão no Ibama e na casa do superintendente - Divulgação/PF
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Elder de Abreu
REPÓRTER E EDITOR
De acordo com as investigações, Leonardo Melo inseriria dados falsos no Sistema de Documento de Origem Florestal (DOF) para beneficiar a empresa

Suspeito de receber diárias indevidas, o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Amapá, Leonardo de Lima Melo, está novamente na mira da Polícia Federal (PF).

Agora ele é acusado de favorecer uma madeireira do Estado com a inserção de dados falsos no Sistema no Sistema DOF – Documento de Origem Florestal – para permitir que a empresa transportasse e guardasse madeira ilegalmente sem ser descoberta pela fiscalização.

O DOF é uma licença obrigatória para a condução e armazenamento de produtos florestais de origem nativa. Ele contém informações sobre a procedência dos produtos. Segundo as investigações, eram exatamente dados falsos sobre a origem da madeira transportada pela empresa que eram inseridos pelo superintendente no Sistema DOF. Para isto, apontou a PF, ele chegou a utilizar computadores do próprio órgão.

Na manhã desta terça-feira, 6, os agentes federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão na residência do superintendente e na Sede do Ibama em Macapá. Os policiais levaram computadores e documentos. A ação policial foi batizada de Operação Falsum Virtual, termo originário do latim e escolhido por retratar a inserção de dados falsos em sistema virtual. Em nota, a Polícia Federal frisou que a investigação que precedeu a ação policial foi desenvolvida em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).

Leonardo Melo é analista ambiental, servidor de carreira do Ibama. Conforme as investigações, ele tem dificultado a realizações de ações conjuntas entre o órgão ambiental, o MPF e a Polícia Federal, “por meio de atos ordinatórios, atrapalhando as investigações em curso”.

Por isto, além de inserção de dados falsos em sistema de informação, Melo poderá responder por obstrução de investigação que envolve organização criminosa. Somadas, as condenações para estes crimes podem chegar até 20 anos de prisão.

Diárias

Esta não foi a primeira vez que o superintendente do Ibama no Amapá foi alvo do Ministério Público e da Polícia. Em outubro de 2017, ele e outros 23 funcionários do órgão foram investigados e denunciados por fraude em pagamento de diárias. Segundo a denúncia, por improbidade administrativa, os servidores iniciavam o processo para pagamento das despesas de supostas viagens à serviço. Mas, os servidores escondiam os carros do órgão em suas casas.

De acordo com o MPF, essa prática sangrou os cofres públicos em mais de R$ 33 mil. A polícia descobriu a fraude ao confrontar os dados de viagem com a localização e trajetos dos veículos do órgão, que são monitorados por satélite. À época, o MPF recomendou ao Ministério do Meio Ambiente a exoneração de Leonardo Melo. Contudo, o Governo Federal insistiu em mantê-lo no cargo.

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