Justiça solta acusado de cobrar dinheiro e sexo em troca de cirurgias. Vítima é operada

  • Trechos de conversas entre o técnico em enfermagem e a paciente fornecido pela polícia
    Trechos de conversas entre o técnico em enfermagem e a paciente fornecido pela polícia Divulgação
img
Elder de Abreu
REPÓRTER E EDITOR
Josiney e Aldenora foram liberados após audiência de custódia. Eles estão proibidos de deixar a cidade

A Justiça mandou liberar os dois técnicos acusados de cobrar dinheiro para facilitar cirurgias no Hospital de Emergências de Macapá. A decisão foi tomada pelo juiz Rogério Funfas durante audiência de custódia, realizada nesta sexta-feira, 23.

O funcionário público e técnico em enfermagem Josiney Santos da Silva e a instrumentista Aldenora Ferreira dos Santos Machado, funcionária de uma empresa terceirizada da unidade hospitalar, vão responder ao processo em liberdade. Eles haviam sido presos em flagrante na quinta-feira, 22, após serem denunciados por uma paciente.

Apesar de revogar a prisão em flagrante, a Justiça colocou condições à liberdade e adotou algumas medidas para evitar a interferência deles nas investigações, que seguem sob a responsabilidade do delegado Leonardo Brito, da 6ª DP de Macapá. Até nova decisão judicial, Josiney e Aldenora não poderão deixar o Estado e nem sair a cidade por mais de três dias. Também não podem sair de casa após as 22h e comparecer em juízo mensalmente.

Apesar do HE já ter afastado administrativamente o técnico em enfermagem e já ter devolvido a instrumentista à prestadora de serviços, ambos estão proibidos pela Justiça de trabalhar na unidade hospitalar. A medida é para evitar que eles tenham contato com possíveis testemunhas do processo.

Mesmo com a soltura dos acusados e o risco existente de que uma vez livres eles poderiam atrapalhar as investigações, por meio de ameaças à vítimas e testemunhas, por exemplo, a polícia ainda acredita que o caso ainda terá desdobramentos, pois tem um grande trunfo a seu favor: o conteúdo extraído dos celulares da dupla, que foram apreendidos durante o flagrante.

É do aparelho do técnico em enfermagem que a polícia acredita ter achado o fio da meada de uma extensa rede de venda ilegal de cirurgias na saúde pública. Os celulares já foram periciados. Apesar de já terem sido devolvidos aos envolvidos, ambos podem ter os sigilos telefônicos quebrados, caso a polícia solicite
à Justiça.

Cirurgia

A paciente que denunciou o caso foi operada ainda na quinta-feira. Amparada pela mãe e pela equipe de saúde do HE, ela entrou no Centro Cirúrgico por volta de 14h, após ter o depoimento colhido pela polícia. A cirurgia foi em um dos joelhos, fraturado em um acidente de trânsito, ocorrido no dia 4 de fevereiro. A mulher teve alta médica na tarde desta sexta-feira, três horas depois que os acusados foram soltos. Na saída, ela foi recebida pela mãe e pelo marido, que ainda demonstrava indignação e fúria por toda a situação, sobretudo pelo assédio sexual praticado pelo técnico em enfermagem, que ficou comprovado nas mensagens entre a vítima e Josiney.

0 Comentários

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Cancel reply

0 Comentários

Anuncie Aqui