Vítimas de explosão em barco faziam entrega de açaí e compras em Santana

  • Embarcação afundou após explosões
    Embarcação afundou após explosões Foto – Divulgação
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Elder de Abreu
REPÓRTER E EDITOR
Oriundas de Gurupá (PA), sete pessoas continuam internadas no Hospital de Emergência, em Macapá. Elas contaram como ocorreu o acidente.

As vítimas da explosão ocorrida em uma embarcação na Área Portuária de Santana, nesta terça-feira, 9, costumavam vir ao município amapaense três vezes por semana para vender açaí, fazer compras, receber benefícios sociais e resolver outros pequenos problemas. Pessoas de três famílias da pequena vila de Tauassuí, localizada em uma das ilhas do município paraense de Gurupá, estavam na embarcação no momento da explosão. Elas se preparavam para retornar quando a tragédia ocorreu.

O acidente matou o casal Ronaldo Nunes dos Santos Teles e Josideth Porfírio de Oliveira. Os corpos deles foram achados na água pelo Corpo de Bombeiros do Amapá no dia do acidente e na manhã desta quarta-feira. O enterro será no cemitério de Gurupá.

A reportagem do Correio de Santana (CS) conseguiu conversar com parentes e uma das sete vítimas que seguem internadas no Hospital de Emergência, em Macapá, há 17 km de onde ocorreu o acidente. Eles contaram que todos são autônomos, a maioria vive da venda de açaí in natura, que fornece para amassadeiras de Santana.

Outros são pescadores e trabalham com frete fluvial. É o caso do proprietário da embarcação destruída, Rosinaldo Nunes dos Santos Teles. A esposa dele, Josi dos Santos, contou ao CS que o marido costuma fazer o transporte de passageiros, produtos e providencia encomendas para os moradores da Vila do Tauassuí. As viagens são para Santana e para outras localidades de Gurupá.

Segundo ela, no dia do acidente, a embarcação Rio Jordão IV atracou no Porto do Grego pouco antes de amanhecer, como de costume. Após vender todas as sacas de açaí, os passageiros foram até o comércio da cidade, onde passaram o dia resolvendo problemas de cadastros para o seguro defeso, comprando roupas, mantimentos, ferramentas e, também, fizeram visitas a parentes que moram em Santana e na capital, Macapá.

Às 16h, contou Josi dos Santos, todos começaram a retornar para a viagem de volta. As vítimas estavam arrumando as mercadorias compradas e bagagens quando a explosão aconteceu. Àquela altura, o dono como sempre fazia, segundo a esposa, já havia abastecido o tanque do barco e os barris com gasolina e óleo diesel – encomendas pagas por moradores da vila.

Com fraturas na bacia e nas duas pernas, mas fora de risco de morte, o dono da embarcação contou ao CS que tudo começou quando ele foi ligar para aquecer o motor para a viagem. Ao dar a partida, uma pane elétrica teria gerado centelhas, que provocaram chamas. Ao ver que não conseguiria controlar o fogo, ele deu o alerta para que todos deixassem a embarcação. Mas já era tarde.

De acordo com o relato de Rosinaldo, foram duas explosões. A primeira, desconfia ele, foi do tanque da própria embarcação. O fogo deixado por esse primeiro estampido se alastrou rapidamente até onde estavam armazenados os barris de combustível: foi a segunda explosão.

Entre as vítimas internadas que não correm risco de morte, está um adolescente de 17 anos. Ele sua mãe, Maria das Graças dos Reis, sofreram fraturas na cabeça e nos pés, respectivamente. O jovem contou que a explosão os arremessou para fora do barco. “Não deu tempo de reação de ninguém”, relembrou. Maria das Graças foi jogada para a calçada do píer onde o barco estava ancorado. Além dos dois pés, ela fraturou uma vértebra da coluna. Corre o risco de ficar paraplégica.

José Oliveira Pacheco e José Arias Reis, ambos com queimaduras graves, de 3º grau, estão internados no centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do HE. Maria de Lourdes Mendes Ferreira está respirando com a ajuda de aparelhos. O pescador Manoel Basílio está estável, segundo o HE.

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1 Comentários

  •  
    Rangel Guedes

    11/01/2018 às 06:55h

    Meu Deus,que tragédia,que Deus conforte o coração dessas pessoas.

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