Romaria fluvial reúne centenas de fieis em Santana

  • Imagem da santa foi transportada em uma balsa, que liderou a romaria
    Imagem da santa foi transportada em uma balsa, que liderou a romaria - Paulo Leal
  • Aos poucos, mais embarcações formavam o cortejo pelo Rio Amazonas até o Rio Matapi
    Aos poucos, mais embarcações formavam o cortejo pelo Rio Amazonas até o Rio Matapi - Paulo Leal
  • Romaria fluvial contou com um forte esquema de segurança e encerrou sem incidentes
    Romaria fluvial contou com um forte esquema de segurança e encerrou sem incidentes - Paulo Leal
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Jonhwene Silva
Editor de esportes
A romaria representa toda a fé do povo católico que reside nestas áreas ribeirinhas e que muitas vezes não consegue ir ao Círio de Nazaré. Aqui, trazemos Nossa Senhora pra perto de seu povo e isso simboliza todo o amor e fé de Maria. —   Dom Pedro Conti - bispo de Macapá

Uma das maiores manifestações religiosas do povo católico aconteceu no município de Santana, distante cerca de 17 quilômetros de Macapá . Como parte da programação em honra e louvor a Nossa Senhora de Nazaré, ocorreu neste sábado, 7, a romaria fluvial, que reuniu centenas de fieis numa demonstração de fé e devoção. Durante a transladação da imagem da santa, foram muitos os momentos de emoção, oração e de canções, por parte dos devotos.

Às 8h, a imagem trazida por um carro da Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou ao Porto de Santana. Carregada por um devoto, foi levada até a balsa São Pedro, que com a banda católica e devidamente enfeitada, iniciou-se a transladação pelo Rio Amazonas. Ao som de cantos, louvores e orações, acompanhado do Grupo Tático Aéreo (GTA), Capitania dos Portos e Corpo de Bombeiros, o cortejo se dirigiu até o Igarapé da Fortaleza, onde outras embarcações já aguardavam.

Um verdadeiro aparato de segurança foi preparado para a romaria fluvial e nenhum incidente foi registrado. A Marinha do Brasil realizou o cadastro de cerca de 30 embarcações que foram autorizadas para acompanhar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Um navio foi disponibilizado para os fieis que não tinham barcos e queriam participar do evento. Após a partida, a balsa São Pedro passou novamente em frente à cidade de Santana e se dirigiu até a localidade do Cachoerinha, onde há um grande número de devotos que já esperavam, e também soltaram fogos de artificio entoando músicas religiosas. 

Logo em seguida, a romaria seguiu entrou no rio Matapi, onde famílias ribeirinhas esperavam em frente as suas casas enfeitadas e também em pequenas embarcações. A fé estava estampada em cada rosto e nos gestos de cada um. Uma amostra de devoção por Maria. Até a chegada em um porto particular onde um grupo de motoqueiros já aguardava, os hinos e momentos de oração deram o tom da transladação. Para o Bispo Dom Pedro José Conti, a Romaria Fluvial representa a aproximação do povo católico mais longínquo.

“A romaria representa toda a fé do povo católico que reside nestas áreas ribeirinhas e que muitas vezes não consegue ir ao Círio de Nazaré. Aqui, trazemos Nossa Senhora pra perto de seu povo e isso simboliza todo o amor e fé de Maria”, disse.

DEMONSTRAÇÃO DE FÉ E DEVOÇÃO - Não eram nem 7h quando um casal de idosos chegou para acompanhar a romaria fluvial. Seu Adão Silva, 77, e dona Ozanira Figueiredo, 63, juntos há 51 anos e devotos de Nossa Senhora, decidiram pela primeira vez participar da transladação. Desde que se conheceram e uma festa católica, viraram fieis da santa. E olha, foram muitos os momentos em que santinha, deu uma mãozinha para superar as crises.

“Sempre que a gente brigava, logo em seguida eu lembrava que tínhamos feitos votos amor e fé na presença de Nossa Senhora. Aí, a santinha intercedia e logo passava a crise”, disse dona Ozanira.

Seu Adão revela também que para conquistar o amor da esposa, precisou da intercessão de Nossa Senhora. Foi assim que ele conseguiu fisgar o coração daquela bela mulher.

“Quando eu a vi de longe, fui logo tentar namorar ela. Mas, ela não queria. Aí né, pedi uma forcinha de Nossa Senhora; foi que logo depois toquei o coração dela e começamos a namorar!”, relembra.

Mas não foi só nos momentos de amor que Nossa Senhora intercedeu. O casal revela que nas enfermidades também apareceu a santa para salvá-los. Recentemente, dona Ozanira enfrentou um sério problema de saúde, chegando até mesmo ir parar no hospital. Foi quando seu Adão orou com grande devoção e fé. Segundo ele, foi suficiente para vir a cura da esposa.

“Tem gente que não acredita quando eu conto, mas é verdade. Minha mulher estava muito doente e nem remédio estava dando jeito. Foi quando me apeguei a Nossa Senhora e um dia depois, ela estava boazinha. Foi um milagre”, conta.

Outra que revela graça alcançada é Maria do Carmo da Silva. A dona de casa conta que há cerca de três anos foi ao médico e diagnosticada com um grave problema no coração. Iniciou o tratamento, tomou remédios e a doença insistiu em não sumir. Foi quando lembrou da devoção e amor por Maria.

“A minha santinha tem poder e deu a minha cura, e creio nisso, que foi ela mesma. Eu fiz o tratamento, tomava remédio, e nada. Passou um tempo, e nada, foi aí que Nossa Senhora me deu a benção. Me apeguei a ela e hoje participo do círio normal e pago minha promessa todos os anos”, afirmou.

Segundo Giovani Rodrigues, um dos organizadores da romaria fluvial, no povo amapaense existem inúmeros casos e exemplos de pessoas que se dizem curadas por Nossa Senhora de Nazaré. Católico convicto, ele acredita em todas as bênçãos.

“Nem tento questionar a veracidade cada história destas. Acredito em todas porque sabemos da força e do amor de Nossa Senhora. A fé desse povo é algo sublime e que transcende a barreira do questionável. Maria Nossa Senhora de Nazaré é nossa rainha da Amazônia”, finalizou. 

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