Empresário é denunciado novamente por golpe. Desta vez na SANPREV

  • Prejuízo da SANPREV foi de mais de R$ 800 mil
    Prejuízo da SANPREV foi de mais de R$ 800 mil Foto - Danillo Borralho
  • Imagem feita pela polícia do Distrito Federal, no dia da prisão do empresário
    Imagem feita pela polícia do Distrito Federal, no dia da prisão do empresário
  • Promotor Anderson Souza investigou as fraudes
    Promotor Anderson Souza investigou as fraudes Danillo Borralho
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Elder de Abreu
REPÓRTER E EDITOR
Não existia investimento nenhum. A empresa dele não possuía autorização para realizar investimentos no mercado financeiro —   Anderson Souza – promotor de Justiça

Mais uma acusação de fraude foi oficializada contra o empresário Elton Felix Gobi Lira, que está preso pele mesmo crime, cometido em outras unidades da Federação. Desta vez, a fraude teria sido aplicada contra a previdência do município de Santana, que teria sofrido prejuízo de mais de R$ 800 mil com o golpe.

A nova denúncia foi ofertada à Justiça na terça-feira, 26, pelo Ministério Público, através da Promotoria Criminal de Santana. Inicialmente, as acusações configuram crimes de estelionato e falsificação de documentos.

Segundo o promotor do caso, Anderson Souza, as fraudes foram investigadas depois que indícios de irregularidades com a terceirizada Êxito Consultoria de Investimentos LTDA, de propriedade de Lira, foram constatados por auditores do Instituto de Previdência do Município de Santana (SANPREV).

O promotor explicou que, assim como outras entidades de previdência pública do país, a SANPREV investe o dinheiro arrecadado das contribuições ativas no mercado de ações. Para isto, empresas consultoras especializadas são contratadas. É neste segmento financeiro que atuavam as empresas de Elton Lira.

A SANPREV chegou a repassar R$ 846 mil à empresa de Lira para serem aplicados no mercado de ações imobiliárias. Contudo, em dois anos, jamais teve retorno dos lucros e nem do valor investido.

Conforme as investigações, o golpe foi descoberto quando a SANPREV precisou fazer um resgate de R$ 167 mil dos investimentos do órgão para quitar os vencimentos de aposentados. Desta forma, recorreu à Êxito Consultoria, mas não obteve resposta.

Àquela altura, a fama de golpista de Lira já era grande no Amapá. “Soubemos de denúncias de golpes similares em pessoas físicas e em órgãos de previdência do Estado do Pará”, contou Anderson Souza.

Segundo as investigações, antes de ser descoberto, o empresário golpista forjou documentos e apresentou falsos extratos de rendimento – até com a logomarca da Comissão de Valores Imobiliários e de Bancos – para passar a impressão de que estava fazendo render o dinheiro da SANPREV. “Mas, na verdade, não existia investimento nenhum. A empresa dele não possuía autorização para realizar investimentos no mercado financeiro, pois estava com o seu registro cancelado junto à Comissão de Valores Mobiliários, desde setembro de 2014”, completou o promotor.

Atualmente, Elton Lira está preso por golpes nos Estados do Amapá, Pará e Tocantins, unidade de origem dele. Ele foi capturado em Brasília, há três meses. A justiça estima que os falsos investimentos lhe renderam mais R$ 20 milhões. “O modus operandi é o mesmo aplicado em outros municípios do Estado do Pará, como Oeiras do Pará, Portel, Muaná e Belém”, acrescentou Anderson Souza.

Na ação impetrada à Justiça, o Ministério Público requer a fixação de multa no valor de R$ 846.000,00 para reparação dos danos causados, valor equivalente ao que foi auferido indevidamente por Elton Lira.

Luxo

Elton Lira ganhou notoriedade na capital amapaense pelas ostentações e pelo badalado casamento com uma jornalista local. O casal ostentava relógios e carros importados, passeios de lanchas. Nas redes sociais, aparecia sempre em fotos feitas nas viagens paradisíacas e hotéis de luxo.

O casal também era conhecido por promover shows de atrações nacionais em Macapá, através da empresa DL Realizações – iniciais da jornalista. Curiosamente, o mundo dos sonhos começou a desabar depois que o casal se separou e iniciou uma troca de farpas nas redes sociais. Foi também nas redes sociais que Lira começou a desafiar a Justiça e o Ministério Público do Estado do Pará, antes de ser preso.

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