PF prende ex-presidente do Imap, suspeito de favorecer produtores de soja

  • Polícia Federal e Ministério Público Federal apuram irregularidades dentro do Imap
    Polícia Federal e Ministério Público Federal apuram irregularidades dentro do Imap
Os mandados desta quinta-feira foram cumpridos nas casas dos envolvidos e nas sedes do Imap e da Aprosoja, em Macapá, e do Ibama, na capital federal.

O ex-presidente do Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá, Bertholdo Neto, foi preso na manhã desta quinta-feira, 14, em mais uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga fraudes no órgão estadual. Segundo as investigações, conduzidas em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), Neto estaria envolvido em um esquema para favorecer produtores de soja no Estado. A Operação Shoyu cumpriu mandados em Macapá e em Brasília.

De acordo com as investigações, o ex-presidente do Imap, preso preventivamente, é o chefe da organização criminosa e é um dos responsáveis por arquitetar os delitos. Partiram dele determinações para que servidores do órgão simulassem autuações a produtores de soja por ausência de Autorização de Supressão Vegetal. O intuito era tornar sem efeito autos de infração anteriormente emitidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pela mesma irregularidade. Nos autos de infração simulados, o Imap reduziu as multas aplicadas pelo Ibama – que variavam de R$ 200 mil a R$ 1 milhão, além do embargo das áreas – para o valor único de R$ 60 mil. Estima-se que os danos aos cofres públicos alcancem R$ 7 milhões.

Além de Bertholdo Neto, e de um servidor do órgão ambiental, que foi afastado do cargo, são alvos da operação outras quatro pessoas, entre elas, a sócia do ex-gestor, que é também empresário. As outras três, ligadas à Associação de Produtores de Soja do Amapá (Aprosoja), são investigadas por tentar se beneficiar da lavratura simulada dos autos de infração. Entre elas, Daniel Sebben, empossado recentemente como secretário de Desenvolvimento Rural do Estado do Amapá.

Os mandados desta quinta-feira foram cumpridos nas casas dos envolvidos e nas sedes do Imap e da Aprosoja, em Macapá, e do Ibama, na capital federal. A prisão preventiva do ex-presidente visa a evitar que ele interfira na investigação e continue exercendo influência no Imap. Neto ficou à frente do órgão entre abril de 2017 e abril de 2018.

Há indícios da prática dos crimes de organização criminosa, advocacia administrativa, corrupção ativa e passiva e falsidade ideológica. O material colhido na operação será incluído nas investigações e pode revelar tanto o cometimento de outros crimes como a participação de mais pessoas nos delitos.

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